Campanha #MeImporta chama atenção para crianças que crescem sem uma família

No Brasil, 47 mil crianças crescem sem a proteção e o afeto de uma família. Esse é só um dos dados trazidos pelo relatório da campanha #MeImporta, da Aldeias Infantis SOS, que tem como objetivo conscientizar a população sobre a importância de nenhuma criança crescer sozinha.

Lançada em 19 países da América Latina e Caribe, a ideia da campanha é arrecadar assinaturas no site oficial e nas redes sociais da organização, para criar um “importômetro”, que mostra o quanto as pessoas estão sensibilizadas e se importam com a causa.

Rodrigo Zavala, gerente nacional de comunicação da Aldeias Infantis SOS Brasil, explica que a ideia é unir os países em torno de uma campanha continental que, apesar das diferenças, como a língua falada, deve ter esse objetivo comum em primeiro lugar. “A cada dois anos, nós desenvolvemos campanhas com temas muito próximos à nossa missão. Para 2018, estamos defendendo o core business da organização, que é o direito à família. Que as crianças vivam em um ambiente onde se sintam cuidadas e protegidas e que, no futuro, essa criança ou adolescente seja um adulto com uma vida repleta de oportunidades”.

Segundo Zavala, o objetivo da Aldeias Infantis SOS, enquanto organização global, é lutar contra a separação familiar, mas, caso isso ocorra , que o indivíduo tenha um acompanhamento para voltar para a família, para a família extensa ou, em alguns casos, até para uma família adotiva.  

As assinaturas, portanto, funcionam como um chamamento para que a população, organizações sociais, empresas e governos se engajem e comecem o movimento de pensar nas relações familiares, e conheçam mais o trabalho da Aldeias Infantis SOS. “Nós não estamos falando somente de contribuições financeiras, mas também essa atitude de acompanhar nossa atuação de reintegração familiar, prevenção à violência e à separação familiar que acontece por vários motivos. É todo um trabalho de engajamento na causa”.

Rodrigo ressalta que esse movimento caracteriza-se mais como uma campanha de conscientização da população sobre o fato de que milhares de crianças têm ou terão seu direito de viver em família violado pelas mais diversas questões, como violência, pobreza e desastres naturais.

Mais conhecimento

A tomada de consciência a respeito do tema pode começar a partir da leitura do relatório “A criança e seu direito de viver em família”, disponível na íntegra no site da #MeImporta.

O documento explica por que crescer em família é fundamental para o pleno desenvolvimento do indivíduo e como isso se dá, além de trazer dados alarmantes, como: a alta incidência de disciplina violenta em países da região (84,5% de crianças e adolescentes entre 2 e 14 anos receberam algum tipo de disciplina violenta na Jamaica); os índices de pobreza na região, que reúne 70,5 milhões de crianças e adolescentes pobres; a estimativa de que mais de 2 milhões de crianças latino-americanas e caribenhas sejam vítimas de exploração sexual comercial, entre outras informações.

Ainda segundo o relatório, os principais fatores de risco para a separação familiar são: pobreza, condições de vida, violência na família, violência baseada em gênero, exploração sexual comercial, desastres naturais, migrações, HIV-AIDS, consumo problemático de substâncias e deficiências e pais e mães privados de liberdade.  

Os dados apresentados no relatório, inclusive, se repetem nos materiais de diversas organizações que também têm crianças e adolescentes como público-alvo, aumentando assim o número de atores que lutam por essa causa.

Próximos passos

A previsão é que a chamada receba assinaturas até o meio de junho. A campanha #MeImporta é só o começo de uma série de trabalhos que serão desenvolvidos até o final do ano e o começo de 2019.

Além da divulgação dessa hashtag e a coleta de assinaturas, a ideia é levar a temática para uma votação na ONU (Organização das Nações Unidas), a fim de que todo o movimento seja transformado em uma resolução sobre os Direitos das Crianças da Assembleia Geral das Nações Unidas 2019, e que essa exerça uma pressão para que governos de diferentes partes do mundo atente-se para o grupo das ‘crianças invisíveis’.

Em um terceiro momento, está prevista, nesse caso especificamente para o Brasil, a revisão completa do Plano Nacional de Convivência Familiar e Comunitária (PNCFC), com um maior destaque à prevenção da separação familiar e à institucionalização de crianças.  

 

 

Fonte: GIFE